Pedro Vieira de Almeida, 50 anos depois


2013 | Alexandra Cardoso
Pedro Vieira de Almeida, 50 anos depois

Texto de abertura da sessão 50 Anos Depois. Ensaio Sobre o Espaço da Arquitectura de Pedro Vieira de Almeida, organizada pelo CEAA. Porto: ESAP, 12.12.2013

 

O Centro de Estudos Arnaldo Araújo agradece a presença de todos, aqui neste final tarde de Inverno.

Hoje é um dia muito especial para o Centro de Estudos, um dia com uma carga afectiva muito intensa.

Um dos seus fundadores e principal mentor e nosso amigo Pedro Vieira de Almeida faria hoje 80 anos.

É por isso que num gesto simbólico, quisemos oferecer ao Pedro uma espécie de presente-surpresa ao publicar na íntegra, e no formato das Edições Caseiras do CEAA, que ele próprio criou e tanto estimava, a sua tese de final de curso, para obtenção do diploma de arquitecto, entregue há precisamente 50 anos.

Há por isso aqui uma dupla comemoração, e o CEAA está muito contente e orgulhoso por poder levá-la a efeito.

Esta tese, ou CODA como na altura se designava, com o título Ensaio sobre o espaço na Arquitectura, foi absolutamente inovador no seu tempo e pioneiro no que aos estudos sobre espaço se refere. Havia ideias avulsas sobre o assunto, mas este é o primeiro trabalho de fundo que produziu uma reflexão teórica sobre o espaço em arquitectura e elementos que o informam.

O Pedro nunca abandonou a reflexão e teorização sobre aspectos ligados ao espaço.

Publicámos há cerca de um mês o seu último trabalho – Dois parâmetros de Arquitectura postos em Surdina – onde posicionou uma noção teórica de espessura das paredes e de espaço-transição, enquanto valores expressivos do espaço arquitectónico.

Com a publicação do CODA, agora na nova Colecção PVA, iniciámos parte de um projecto de investigação mais vasto, e que também diria arrojado quanto aos seus objectivos, sobre a obra do Pedro Vieira de Almeida, e que está a ser elaborado por uma equipa de investigadores deste Centro de Estudos, com a coordenação geral da professora Helena Maia.

Consideramos que este trabalho de divulgação e de estudo crítico da obra do Pedro merece ser feito. Não só pela riqueza da matéria em si produzida, fruto do seu génio criativo fora de série, mas também porque o seu pensamento é, e aqui atrevo-me a avançar com o termo – intemporal.

Do que conheci e sei do Pedro, foi sempre um homem que construiu o seu pensamento e expôs as suas ideias de forma livre, descomprometido com movimentos artísticos, modas ou pressões da classe profissional.

De forma brilhante e inteligente, soube sempre posicionar a sua intervenção crítica muito para além do que à época eram consideradas as correntes de opinião instituídas – as gavetas classificatórias – como ele muitas vezes se referia, afastando assim preconceitos e lançando para uma discussão aberta outras leituras possíveis, face a temas e a autores.

Esta impressão do CODA é uma primeira versão, com algum carácter provisório que se prende com certos acertos editoriais, por isso é uma edição pequena. Mas mesmo assim não quisemos deixar de assinalar os 50 anos de um trabalho fantástico e também esquecido.

Esperamos não ter desiludido!

Alexandra Cardoso
12.12.2013